3 Surpresas das Semanas
Essas duas semanas exigiram uma capacidade maior de atenção com relação à música, tentando furar os mínimos espaços no tempo curto, buscando expandi-lo, ainda que em vão.
A música tem acompanhado um período um pouco mais introspectivo meu, permitindo que eu possa encontrar beleza apesar de uma observação mais fria da realidade. E mais: passo a observar a necessidade de me reconectar à natureza. Pouco à pouco.
Esse belo registro do Swallow The Sun me levou nessa direção, rumo à raízes que eu mesmo tinha dado por mortas ou desaparecidas. É como querer dizer o indizível, mas isso é o que a própria música significa.
Em meio a um Doom Metal muito bem produzido e refletido, as influências góticas se mesclam nessa incrível obra que me fez olhar novamente para a banda. Desta vez, após algumas tentativas, consegui entrar no universo dos caras, acho. E isso é como estar acalantado em meio a um oceano gélido nos confins da Terra.
Mas isso faz pouco sentido com palavras. E, por isso, é só com a atenção total voltada para esse disco que você poderá entender o indizível que tento expressar aqui. Recomendadíssimo!
Já uma antiga conhecida minha, a banda Superheaven nunca chegou, de fato, a me chamar atenção. Sempre ficava um "depois" quando eu olhava para esse álbum. Mas, agora que ouvi, finalmente, posso afirmar: quanta jovialidade!
Ouvir esse disco é como estar naqueles momentos da adolescência, e da vida (por que não?), em que palpita uma paixão inexplicável pela própria chance de se estar "vivo e respirando", para citar Maynard, em "Parabol(a)".
Uma espécie de grunge com influência leve de post-hardcore sedimenta esse belo registro, que passa tão rápido quanto o efeito de fundo na foto da capa. Certamente, vou ouvir novamente!
Eis que eu tenho uma surpresa. Esse disco foi um clique aleatório no Spotify e a primeira faixa me pegou, trazendo uma sensação de frescor incrível. Como se eu estivesse no outono, pisando nas folhas de uma bela paisagem amarronzada, dessas que se tem nos papéis de parede do PC.
Mas eis que esse frescor foi se revelando aos poucos e exalando, cada vez mais o cheiro de terras conhecidas. Para minha surpresa, lá pelo meio do disco, eu estava ouvindo música brasileira sendo cantada em inglês. Era muitíssimo similar e, se eu estivesse ouvindo à distância, certamente pensaria estar ouvindo algum tipo de MPB ou Bossa Nova.
Bibio, junto com Dom Casmurro (livro de Machado de Assis que tenho lido), me trouxe esse momento de curiosidade e estupefação em compreender algo que eu ainda não tinha entendido por completo, apenas parcialmente: tem coisas difíceis de traduzir com palavras e tocam apenas os seus sentidos, vindo só para mostrar como é inconfundível sua terra, até mesmo fora dela.
Esse disco não se prende a brasilidade dos nossos estilos, mas exala ela por todos os lados e, de uma maneira diferente, esse álbum fez como o disco do Swallow The Sun: trouxe à tona as raízes esquecidas.
Belo registro!
Esse disco não se prende a brasilidade dos nossos estilos, mas exala ela por todos os lados e, de uma maneira diferente, esse álbum fez como o disco do Swallow The Sun: trouxe à tona as raízes esquecidas.
Belo registro!





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